O que excita as mulheres?

O New York Times publicou uma matéria sobre o que excita as mulheres. Bem, nosso Pimenteiro é composto apenas por mocinhas e acredito que nossos leitores gostariam de entender um pouco mais sobre isso também, certo?

Então taí a matéria na íntegra, com os devidos créditos (ah sim, eu vi essa matéria no UOL)!

O que excita as mulheres? Não, não é um homem nu.
Andy Newman

Mulheres! Vejam o esplendor da forma nua masculina: esbelta e poderosa, um milagre de músculos esculpidos, caminhando confiante pela areia ou alongando-se na sua frente em sua glória deslumbrante.

Pensando bem, talvez vocês prefiram outra coisa. Assim dizem os cientistas nas fronteiras da pesquisa em torno da eterna questão do que as mulheres acham erótico. A mais recente resposta parece ser: homens nus não ou ao menos não simplesmente homens nus.

“Para as mulheres heterossexuais, olhar para um homem nu caminhando na praia é tão excitante quanto ver uma paisagem”, diz a pesquisadora Meredith Chivers em um novo documentário sobre bissexualidade chamado “Bi the Way”, apresentado no festival de cinema de Nova York NewFest, no dia 6 de junho.
Chivers, pesquisadora do Centro de Vício e Saúde Mental da Universidade de Toronto, diz que tem dados para corroborar sua afirmativa. Recentemente, ela publicou resultados de um estudo no qual ela mostrava vídeos de homens e mulheres nus em várias situações sexuais e não sexuais e media a excitação genital de quem assistia as cenas.

As mulheres heterossexuais não ficavam mais excitadas por homens atléticos nus fazendo ioga ou jogando pedras no oceano do que ficavam com as cenas controle: imagens dos Himalaias cobertos de neve. Quando as mulheres heterossexuais viam um vídeo de uma mulher nua fazendo ginástica, por outro lado, seu fluxo sanguíneo aumentava significativamente.

O que realmente importa para as mulheres, ao menos no ambiente artificial do estudo em que a voluntária assistia a filmes ligada intimamente e a um aparelho chamado photoplethysmograph, não é o gênero do ator, mas seu grau de sensualidade, disse Chivers. Ainda mais do que pessoas nuas fazendo exercícios, elas ficavam excitadas com vídeos de masturbação e mais ainda por vídeos gráficos de casais fazendo amor. Mulheres com mulheres, homens com homens, homens com mulheres: não importava muito para as mulheres, disse Chivers.

“As mulheres parecem fisicamente não diferenciar entre os sexos em suas respostas sexuais, ao menos as mulheres heterossexuais”, disse ela. “Para as mulheres heterossexuais, o gênero não importa. Elas responderam ao nível de atividade”.

O trabalho de Chivers acrescenta a um corpo crescente de evidências científicas que coloca a sexualidade feminina em uma continuidade entre a heterossexualidade e a homossexualidade, em vez de um fenômeno excludente. “Ela está assinalando o que é meio óbvio e ainda assim não explorado: que as mulheres são fluidas em sua sexualidade”, disse uma das diretoras de “Bi the Way”, Josephine Decker, em uma festa após a apresentação do filme em um bar de temática russa.

Mesmo em uma cultura em que muitas vezes ser bissexual passa a ser chique – Britney e Madonna deixam o lugar para Lindsay Lohan e Samantha Ronson (fotografadas se beijando em Cannes, França)- e apesar dos dados da pesquisa mostrarem que os jovens, em particular, estão abertos à experimentação sexual, a bissexualidade ainda tende a ser tratada como novidade, como casualidade excitante, uma fase ou até uma forma de esconder a homossexualidade. A própria Chivers foi autora de um estudo de 2005 usando métodos similares que revelaram que os homens que se diziam bissexuais eram significativamente mais excitados por um único sexo, em geral o masculino.

As mulheres, contudo, são fundamentalmente diferentes, dizem alguns pesquisadores. Uma pesquisadora da Universidade de Utah, Dra. Lisa M. Diamond, publicou um estudo em janeiro na revista “Developmental Psychology” que acompanhava a vida amorosa de 79 mulheres não heterossexuais que se diziam lésbicas ou bissexuais ou nenhuma das opções anteriores. Ao longo de dez anos, as mulheres continuavam a ser atraídas por ambos os sexos, concluiu Diamond.

A resposta das mulheres às imagens dos casais se estende até para outras espécies, concluiu Chivers. Em um experimento de 2004 e novamente no estudo recente, publicado em dezembro de 2007 na revista “Journal of Personality and Social Psychology”, Chivers e seus colegas concluíram que as mulheres eram ligeira mas significativamente excitadas por centenas de chimpanzés bonobo cruzando. Os homens não mostraram a mesma resposta.

E quando Chivers pediu que as mulheres classificassem sua própria excitação diante dos vídeos que assistiam, as mulheres, homo ou heterossexuais, tendiam a dar maior classificação para filmes mostrando mulheres. “As mulheres heterossexuais reagem às mulheres, diferentemente do que se imaginaria”, disse Chivers. “Por que as mulheres são tão excitadas por outras mulheres?” Os homens, homo ou heterossexuais, assim como as lésbicas, foram mais previsivelmente excitados por imagens de seu sexo preferido, disse Chivers.

É difícil saber como entender essa informação. Chivers não faz alegações corajosas a respeito. “Concluir que as mulheres são bissexuais com base em sua resposta sexual seria negar a complexidade e as várias dimensões da sexualidade feminina”, escreveu em seu artigo. Ela admitiu, contudo, que a aparente flexibilidade das mulheres “esteja relacionada a um maior potencial de bissexualidade nas mulheres do que nos homens”.

Os produtores de “Bi the Way” tiraram suas próprias conclusões. “O que começou com uma moda pode ter se tornado uma revolução. Mas, de qualquer forma, está claro que os jovens estão refazendo o mapa da sexualidade”, disse a diretora Brittany Blockman no filme, que traça as peregrinações românticas de cinco membros da chamada Geração do Tantofaz.

Essa é uma conclusão que Chivers não está pronta a tirar. Blockman, 27, que é mestre em antropologia médica em Harvard, disse que teve a idéia para o filme quando viu por um acaso a série. “The OC” e viu a personagem de Mischa Barton beijar outra jovem.

“Desde quando duas meninas se beijarem em um programa de televisão no horário nobre se tornou aceitável e legal?”, disse ela em entrevista. “Senti como se tivesse perdido algum tipo de mudança cultural”. Na festa após a apresentação do filme, no Vlada na rua 51, a cultura parecia estar mudando em várias direções simultaneamente. Uma mulher usando maquiagem de Ziggy Stardust e uma prótese de um pênis masculino participou de um ato sexual simulado. Um pouco depois, a mulher, Amy Ouzoonian, dançarina e artista performática, estava em um sofá se atracando com uma mulher masculinizada de terno preto.

“Você passa a vida procurando aquela pessoa”, disse Ouzoonian, 29. “As genitais não devem importar tanto assim.”

Uma convidada da festa, Gillian Baine, professora escolar (que se diz heterossexual), disse que parecia correto.

“Os jovens não querem se limitar e estão fazendo isso de várias formas. Eles estão se sentindo menos constrangidos pelas normas. Ou as normas estão mudando”, disse Baine, 28.

Normas, contudo, são coisas complicadas. Decker, 27, uma das diretoras do filme, parece um pouco envergonhada por sua experiência limitada.

“O que é triste é que eu preciso desesperadamente sair com uma garota”, disse ela, acrescentando que alguns beijos roubados era tudo o que tinha no lado feminino de sua experiência sexual. “Só não queria que fosse uma mulher qualquer.”

Tradução: Deborah Weinberg

7 Comentários

  1. Falando sério, a sexualidade feminina ficou por muito tempo mascarada por debaixo da masculina. Acho que só a partir da nossa geração as mulheres começaram a demonstrar realmente como vocês lidam com as suas sexualidades sem usaram os modelos masculinos. E acredito que vamos realmente começar a entender essa sexualidade feminina só daqui a alguns anos, conforme a influencia masculina sobre os parâmetros neste tópico diminuam ainda mais.

  2. Uma coisa é verdadeira: muitas barreiras caíram para essa geração adolescente de hoje. Só me pergunto se cai também a hipocrisia e cada um assume o que é ou se questões profundas vão-se instalar na cabeça desse povo porque nesse momento tudo isso é cool e ‘eu faço porque todo mundo faz’.
    Mas a questão do nu para o homem e para a mulher é um fato clássico. O homem admira o simples e puro nu. O que o tal nu está fazendo em sua nudez é o que diverte a mulher.

  3. Taí Bob, é bem isso mesmo, concordo contigo. Felizmente as coisas e as pessoas mudam, e com isso os padrões também. Agora acho que estamos no meio do caminho, por isso essa sensação da Cayena de “isso é cool e eu faço porque todo mundo faz”.
    E ainda tem mais: para as mulheres a questão do corpo é bem mais tranquila. A nudez, o toque, existem menos tabus. Mulheres são mais carinhosas, acessíveis e abertas. Homens ficam naquela coisa do “macho” e acabam não aproveitando… tanto que a maioria acha beijo entre mulher uma coisa linda e beijo entre homem nojento. Eu não acho. Ambos me dão tesão, de jeitos diferentes, mas dão.
    Ahhhh sim, e essa questão do nu pra mulher, xi, não pega nada. Mulher gosta de erotismo e sensualidade, se o cara é malhado, bombado, e tá se exibindo, pouco mexe. Essas fotos de homem pelado são nojentas, nós gostamos do mistério, da imaginação… e gostamos SIM e MUITO de caras comuns. Aquele atendente do banco super charmoso. O dentista com a barba pra fazer. O cara que segurou a porta do elevador pra você. Ohhhh yeah, esses caras são bem bacanas e chamam muito a atenção!

  4. Um texto muito interessante. O fato é que embora sabemos que vocês não se excitam pelas mesmas coisas que nós, sempre recaimos no erro de nós exibirmos com base em nossos próprios gostos… É ridículo, mas é realidade.

    No entanto, acreite que as vezes nem uma imagem pode nós deixar excitados – o simples pensamento de uma certa sensualidade, a imaginação de um cheiro, de um gosto, ou de um olhar pode nós deixar meio maluquinhos. Suponho que eu não esteja muito diferente dos outros homens neste quesito.

    No entanto, concordo com a Jalapeño, que os homens têm muito mais tabus que as mulheres, embora eu pessoalmente não sinto nenhum. Posso me erotizar pensando em um homem, em beijar um, em chupar um pau, embora eu não tenha a menor experiência homosexual, e não viveria sem mulheres…

    O fato que de um lado como do outro, estamos complexos, e mesmo tendo 99,99% do tempo um orgasmo numa relação sexual, isso não quer dizer que seja “bom”… ou seja: ter um orgasmo para vocês pode ser tão difícil que nós realmente gostar de uma ejaculação. O mais importante é o momento seguinte do gozo…

    Um beijo,
    K’ran.

  5. O melhor blog que vi até agora na minha aventura bloguística!
    Muito interessante a matéria, e bom,no meu caso enquadro-me no perfil achado. rs
    Adoreis os comentários e depois voltocom mais calma. Vou linkar vcs.
    Amei as pimentas e beijos para todas.

    angie

  6. [...] Mesmo em uma cultura em que muitas vezes ser bissexual passa a ser chique – Britney e Madonna deixam o lugar para Lindsay Lohan e Samantha Ronson (fotografadas se b… Source: O que excita as mulheres? [...]

  7. Eu me excito mais com a imaginação do q com a visão. é lógico q coisas belas e sensuais me excitam, mas não mais do q imaginar alguma coisa com o objeto de desejo daquele momento.
    beijos


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