Pimenta pode tudo!

Estava falando agora com o Bob, da Casinha do Bob. “Pimenta pode tudo”, foi o que eu disse pra ele. Mas a verdade é que todo mundo pode tudo. Vou dar a volta na conversa pra explicar: hoje falei com a Cayena e descobri que algumas pessoas estão acessando o Pimenteiro e refletindo na proposta do blog. Sim, porque mulheres pensam tanto em sexo quanto os homens! Só que é engraçado como ainda existe um tabuzáço que diz que devemos ser “damas na sociedade e vagabundas na cama”. Ok, vamos definir o que é ser dama e vagabunda, então.

Ser dama é usar rosa, falar baixo, ter movimentos suaves e calculados? Usar o português correto, não falar palavrões? E ser vagabunda, é o oposto disso? Engraçado, ninguém me avisou que o mundo era preto e branco! Sempre enxerguei uns tons de cinza no meio do caminho. Nem um nem outro. As Pimentas não são damas, neste sentido. Nem vagabundas. Somos mulheres, somos livres, somos adultas. O que nos impede de expressar, “abertamente” [e uso aspas porque ainda estamos escondidas atrás de apelidos] nossos pensamentos, experiências, conclusões sobre sexo? Porque é que “pega mal” falar assim entre amigos?

Ou pior, será que algum pretendente se assustaria descobrindo a identidade Pimenta de cada uma de nós?

Acredito que para alguns a idéia de saber o que uma mulher pensa a respeito de sexo, erotismo e afins, é um tanto absurda. Ousada. Vulgar. Mas o que há de absurdo naquilo que é natural? Se fomos feitos assim, de carne e osso, e principalmente sangue [não o de barata], de hormônios e desejo, de gostos e opções, porque não seria natural que expressássemos tudo aquilo que pensamos? Porque não seria saudável compartilharmos, com nossos parceiros e amigos íntimos [claro, não é assunto pra falar abertamente com seu chefe...], nossos desejos e curiosidades?

Penso que a sensação de liberdade que tomou conta de todas nós, Pimentas, ao ingressar neste universo “paralelo” que criamos existe justamente porque conseguimos dar a volta nestas questões [malas, todas muito malas]. Para mim, pelo menos, é libertador, é positivo, é afirmativo [da minha feminilidade], é enriquecedor poder ser eu mesma, expressar e exorcizar todas estas questões que acabamos evitando no cotidiano, mas que fazem parte de nós. Somos humanas!

Daqui, o que eu desejo mais profundamente para todas as Pimentas, e pra todos os leitores, é que o Pimenteiro seja território neutro, livre de inquisições, aberto para opiniões, alegria e tesão – sem medo. Principalmente para as mocinhas que podem dizer abertamente “ai, esse eu comia”, ou para as mais desprendidas, que preferem dizer “que tesão, dava pra esse aí no primeiro encontro”! Soou muito John Lennon? Imagine…

(da foto: somos todas Pagus?)

13 Comentários

  1. O grande problema de nossa sociedade não é com tabus, ou classificações do que é bom ou não, de vocês serem damas ou putas e nós, proxenetes, gigolos ou senhores. O problema é com inveja.

    Inveja do que não conseguimos ter por não ousar, do que não conseguimos fazer sem nós escondermos por medo de represálias e má-fama.

    Se formos nós mesmos, abertos, nós liberaremos dessa inveja rídicula, porque chegaremos a ser no centro das paixões. Basta ver o sucesso que qualquer um ou uma alcança na blogosfera, só se liberando, só colocando o eu verdadeiro por fora. Sexo é lindo. Sexo é bom. Sexo não é para esconder debaixo do tapete.

    Um beijo,
    K’ran.

    PS: Sou realmente fã do blog de vocês. Continuem assim. Falar e ouvir é bom para todos.

    Oi Karan, veio tarde, mas veio…
    Concordo com você que as “invejas” são grandes causadoras de boatos e má fama. Mas estou falando de algo que vai além disso, que é aquele chip no inconsciente coletivo de qualquer povo ocidental “civilizado”, aquela coisa da moral acima de tudo.
    Eu sempre me pergunto se sexo é imoral, se prazer é pecado, se tesão é doença. Porque eventualmente, parece que muitas pessoas abraçam estes conceitos como verdade [válida para os outros, apenas] e todos os problemas se desenrolam aí.
    Infelizmente não existe resposta certa ainda, nem verdade absoluta [tks God], então fica só a nuvem mesmo… lancei o assunto porque queria saber a opinião de quem passa por aqui, porque o Pimenteiro foi um “ato de rebeldia” e acabou virando essa coisa doida, com gente lendo todo dia, opinando, curtindo, tendo idéias e se aceitando [inclusive nós, Pimentas].
    E é isso aí, vamos levantando as lebres no caminho!
    Beijos ardidinhos,
    Jalapeño

  2. Sexo é bom? Ok, concordo. Sexo é lindo? Não sei…Sexo bom não é esteticamente lindo…é esteticamente interessante. Quanto a não ser algo pra esconder debaixo do tapete? Na minha opinião, se esconde debaixo do tapete a sujeira mal varrida, mas, grande parte do barato de sexo é a coisa da conquista e da descoberta – a surpresa boa ou ruim – parte da graça é a sensação de estar transgredindo (laila).

    Houve um tempo que um dos primeiros tesões de um namoro era pegar na mão, apertar uma bunda intocada. No ritmo que se está daqui a pouco vai ser comum andar na rua de mao dada com o pau do cara. E nao vai sobrar nem 100 g de transgressao pra APIMENTAR o sequico.

    []s

    Carioca da Gema,
    concordo que boa parte da graça está na conquista e descoberta. Concordo que hoje os limites são outros [não tem o funk "beijo na boca é coisa do passado, a moda agora é namorar pelado"?]. Por outro lado, acho que demora muito, muito mesmo, pra chegar no nível “pegar no pau e sair na rua”.
    E mesmo que algum dia as coisas fiquem assim, pergunto pra você: a maior descoberta está no físico ou no psicológico? Saber como é o corpo da pessoa é mais interessante do que saber o que ela pode fazer com ele? Ou mais interessante do que entender o que faz aquele corpo sentir prazer?
    Vale um minuto de reflexão no banheiro com tirinhas do Angeli!
    Beijos ardidinhos,
    Jalapeño
    Ah sim, e sexo é lindo… de um jeito meio esquisito, mas é.

  3. Ô grande Carioca,

    Eu não fico tão preocupado com a chegada desse dia onde a sexualidade na rua será coisa comum, não… A maioria dos pais continua mostrando o sexo para as crianças como algo “perigoso”, “arriscado”, e outras restrições assim, então continuará ainda um bom tempo o pudor que colocamos na cabeça dos filhos…

    Isso me lembra o outro dia. Sempre tive uma relação mais amistosa que paternal com a enteada – não desprovida duma certa sensualidade controlada – e o engraçado é que os pre-ado e ado de hoje me parecem muitas vezes com mais pudor do que a própria gente. Mas voltando a esse dia, falei para ela assim: “aposto R$100 que você beija uma menina de língua e na boca daqui aos seus 18 anos”. E ela, “eca! que nojo”… Só que sei que eu acertarei… ;)

    O mundo evolui, mas a maioria dos pais continua colocando pre-conceitos e tabus sexuais na cabeça dos jovens. Pena que seja assim, porque por isso sempre continuará a situação descrita pela pimentinha…

    Abs,
    K’ran.

    PS: quando ao sexo ser lindo, é sim. olhá melhor… ;)

    Karan,
    taí, tocou em uma questão interessantíssima! Os pais continuam a apresentar o sexo como perigoso, fora-da-lei, etc… E é por isso que acho que não chegaremos no nível do “andar pelado na rua”. Existe um instinto de preservação instalado na nossa cultura, na nossa mente, e é ele que impede que tudo vire uma zona absoluta. É ele que mantém a ordem de modo geral, que deixa todos os nossos animaizinhos internos dentro de suas respectivas jaulas. Existe um código aí, social, que todo mundo aprende e respeita.
    É claro que ele é mutável, flexível e burlável, mas leva tempo, a coisa toda começa pelas bordas, pra somente depois atingir o “meião”. E “bordas” eu digo que são os nichos da sociedade mais distantes de nós, do “meião”… o pessoal lá da classe Z, super baixa, e o pessoal da classe A-cravejadoemdiamantes, super alta. São universos completamente diferentes, com outras regras. Penso que as mudanças começam por lá, porque nós estamos muito ocupados trabalhando, tentando ganhar a vida e blogando vez em quando. Eles estão vivendo em outra realidade, que possui outros valores, comandada por governantes que não são os nossos.
    Mas aí… chamem um sociólogo, antropólogo, filósofo… que eles poderiam desenvolver melhor o tema.
    Beijos ardidos!
    Jalapeño

  4. Olha como? No melhor da festa nao da pra manter os olhos abertos. heheheheh

    []s
    O Carioca

    Ah Carioca, garanto que um olho-no-olho faz uma bela diferença…
    Jalapeño

  5. A impressão que tenho é que estamos em um momento de inflexão na nossa cultura, muitos paradigmas sociais que nos acompanham a milhares de anos, literalmente, estão sendo revisto a uma velocidade avassaladora. Nós, que estamos do lado da mudança, (parece até politico falando) podemos querer que as coisas andem ainda mais rápido, mas acredito que logo essas mudanças estarão bem sedimentadas.

    Clap, clap, clap Bob!
    =)
    Só não sei dizer se quero que as coisas andem mais rápidas. Gosto da idéia de ter liberdade pra falar de sexo, de preferências, com o meu parceiro. Mas não gosto da idéia de uma sociedade onde eu posso andar na rua e ser assediada, ser invadida sem permissão.
    Acredito que diálogo e igualdade em alguns aspectos são fundamentais. Aceitação do outro e de si mesmo é a grande questão do post. Invasão de espaço, forçar a barra e passar dos limites, é outra.
    Beijos ardidinhos,
    Jalapeño

  6. Sexo é sempre é bom. Porém, quando praticado com alguém de que se gosta de verdade, e quando se pode ser tão safado quanto se tem vontade, pode ser um ato verdadeiramente lindo, mágico, amoroso e libertador!

    Pimentinha, concordo com você! Sexo pode ser muito bom, bacana, lindo… pode ser uma experiência completa em si. Mas pode ser, na mesmíssima medida, traumatizante, entendiante, decepcionante. Toda moeda tem dois lados, e sexo não é excessão.
    Mas vai lá, curte teu momento… hehehe
    Beijos!
    Jalapeño

  7. Como diria uma “amigona” minha, uma visão muito lírica da coisa.

    []s
    O Carioca

    hehehe, lírica e parcial… o que muda é o ponto de vista, só isso!
    beijos,
    Jalapeño

  8. ah, bem. eu não acho que sexo seja sempre bom, não. às vezes comer pizza pode ser bem melhor. e eu acredito mesmo que deva haver um componente de transgressão, mas o que é transgressão pra mim, pode não ser pro outro. para alguns, transgressão pode ser fazer sexo a três; pra outros, até suruba pode ser feijão-com-arroz. e no quesito ’ser dama na sociedade e puta na cama’ eu acho que alguns homens ainda estão no estágio dama na sociedade’. period. putas serão sempre as ‘outras’, aquela que não é ‘minha’ (entendendo-se aí uma certeza de posse irrefreável). ‘certas coisas’ só se fazem com as outras. puta não serve pra viver junto, pra compartilhar sonhos. e eu pergunto, será mesmo? esse pensamento binário é tão século XIX. a ciência e a filosofia já enxergam há muitas outras formas de organização do mundo e as pessoas ainda se apegam a conceitos binários, como se verdades fossem. é isso. me entusiasmei. :) bjs pimentas sumidas!

    Laila, eu voto em você pra presidente!
    É bem isso mesmo, tem gente que não pode nem ouvir palavrão que ruboriza. Um baratinho ver adultos infantilizados assim. E pior, adultos infantilizados de pensamento binário. Super engraçado isso, cansei de ver caras que ficam com as “meninas pra casar” – que eu chamo carinhosamente de “mulheres padrão”, insossas de opinião, atitude, postura – e que adoram tirar um sarro por aí com as “putas”, as mulheres sem valor, as que servem somente pra diversão.
    Morro de rir quando vejo uma coisa dessas e confesso que estou tirando proveito disso atualmente. Se um cara acha que eu sou isso, ok, vamos lá, tiramos um sarro e tchau. Obrigadíssima pela atenção, mas eu não quero passar o resto da minha vida com um cara desses, que tem uma caixa de isopor sobre os ombros, e não uma cabeça. Period.
    Pra essas pessoas eu sempre penso que uma mochilada mundo afora traria alguns esclarecimentos – ou um milhão de conflitos internos. O mundo é imenso e existem mil maneiras de reproduzir os mesmos conceitos – casamento, sexo, pecado, prazer, beleza, etc. Open mind, people, open mind!
    Beijos,
    Jalapeño

  9. o que eu quis dizer com ‘eu não acho que sexo seja sempre bom’ foi: tem sexo que é muito ruim e a gente quer que acabe logo! [sim eu já estive em roubadas como essas...]

    hahaha, sim, sim e sim! ficou absolutamente claro pra mim!
    beijos,
    Jalapeño

  10. Concordo com vc, Laila!!

    E devo dizer, só pra ilustrar isso tudo que a Jalapeño disse (e aplaudir), que de dois meses pra cá essa Cayena que vos fala tem invadido a identidade da outra mulher aqui dentro e está vencendo o duelo!
    Tenho feito tanta coisa que a Fulana não faria! A Cayena pode… A Cayena DEVE-SE isso a si mesma. A Fulana tem barreiras, a Cayena tem um nome a zelar.
    E que a Cayena vença a cada dia mais batalhas dentro desse serzinho aqui! Ela é uma mulher ‘muito macho’ pra ficar escondida.

    Go, Cayena, go!
    Domina a moça e toma conta do pedaço… que essa aí tem talento de sobra! Descubra-se! Jogue-se! Divirta-se!
    beijos!
    Jalapeño

  11. o pretendente se assusta c a identidade se ele fizer parte do mundo preconceituoso, se for um daqueles q se diz “liberal” mas q qnd chega a hora de uma pessoa fazer parte da vida dele,então ele deixa de ser “liberal” e passa a seguir regras pré-definidas, é como vc disse td mundo pode td, concordo mas o prob é q esse td muitas vezes esbarra em vc nem sempre pode se expressar abertamente p alguém, pq vem aquela história do “pega mal”, o melhor mesmo é viver sem ficar se preocupando se o outro te acha isso ou aquilo,(se bem q dependendo da situação tem q ter muito jogo de cintura p isso no dia-adia), sexo é bom demais, cada um tem q viver sua sexualidade do jeito q quiser.
    bjus.
    adoro o blog de vcs.

    oi Jade,
    obrigada por passar e comentar!
    a levada é essa mesmo, ficar numa boa, conversar, ter jogo de cintura e viver a sexualidade com alegria, com leveza, com humor. porque se o sexo não tiver graça, conta pra mim, o que vai ter?
    super beijo,
    Jalapeño

  12. uau boys & girls, adorei o barulho que este post causou!
    desculpem o desaparecimento a la David Copperfield, agora respondi todos os comments!
    besos!

  13. Ta´desculpada, mas que não se repita, ok?
    heheheheh

    []s
    O Carioca


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